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quarta-feira, 9 de maio de 2018

dó de peito


Deu um dó de peito
Dó do peito em dor
Dor de não ter jeito
Dó de dor de amor

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

INTERROMPEU-SE


Desperdiçou
Desperdiçou tantas dores
De aperto, de pontadas
Dores de vazio e de amores
E dores de ardência
Que nem são de todo dores

Desperdiçou
Desperdiçou delícias
de aperto e de pontadas
de doces e malícias
E delicias de ardência
que nem são de todo delícias

Desperdiçou
Desperdiçou solidão
De aperto e de pontadas
De amarguras sem razão
Solidão de dormências
Que nem dormências são

Desperdiçou
Desperdiçou amores
Amores delícias
Amores dores
Amores solidão
Que nem bem amores são

Desperdiçou
Se interrompeu
Não suportou
Tantos sabores!
Pouco saber

Pena!
José Renato Delben
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Eu, você e o tempo

Existem o tempo e o espaço, e por isto existem as coisas. Existe a duração das coisas e do estado das coisas.
Por existir a consciência das coisas e dos estados desejamos a duração extrema e os estados perfeitos.
Mas pela consciência somos. Eu sou, tu és, eles são. E pela efemeridade do estado de ser acumulo coisas e gasto tempo.

Quero a plenitude, então quero  o meu tempo e quero o seu tempo. Olho para você e olhe para mim. Demoremos uns nos outros. As coisas passam, mas eu perduro.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016


Assim assado

Tudo é assim ou assado. Ou é assado assim ou assim assado. Quero assim ou quero assado? Ou nem quero. Como quem quer assim e quem quer assado podem juntos quererem assim assados?

José Renato 30/11/2016


O Nó
O nó era gordo. O no era górdio. Há quem o ate. Há quem o desate. Eu, Alexandre.

segunda-feira, 27 de junho de 2016



A ESPERA
Não sei mais ser poeta, penso eu há certo tempo. Abandonaram-me os alimentos da poesia, os medos, as angústias, as paixões enfim. Parecia-me abandonado pelos sons do coração e mente. Sem mais tum-tuns e paratibuns. Sem mais, até mesmo, os zam-zin-zuns. Pensei sem dor que minha alma é só silêncio. Mas revelei-me que o que confundi com silêncio era um suave e constante ohmmmmmmm. Era e é uma espera do parto de algo ainda não sabido, mas intuído. E tudo será ohm-tum-mmm-zim-sum-patibun-ohmmmm.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Me peguei escrevendo neste retângulo branco. Serei, por isto, filósofo, poeta ou literato? Ser ou não ser, eis a questão. O elétron é onda ou partícula? Deus existe ou não existe? E se todo sim e todo não fossem a mesma coisa? E se meu EU e meu Ego fossem uma coisa só? Afinal quem ou o que possui o Eu ou o Ego? Penso logo sou ou sou logo penso? Sou aquele ou aquilo que pensa ou pensar é aquilo que sou? Aquele ou Aquilo que disse sou o que sou poderia ter dito possuo o que possuo, ou ainda sou o que possuo? Se existem a matéria e seus processos, o pensamento e a consciência de ser seriam apenas resíduos dos processos físico-químicos? Toda a consciência de sermos e toda senciência seriam apenas ilusões? Iludidos seriam aptos a julgar ilusões de outros alegados conscientes? Partes ínfimas do infinito poderiam adquirir a ilusão, ou crença absoluta, da verdade sobre o sim e o não? Todo aquele que é tem medo de não ser e alguns seres, por isto, promovem o não ser dos que ameaçam sua maneira de ser. Acreditar absolutamente no sim ou no não faz com que o ser seja mais ser que o outro?Paro por aqui ou não paro, esta é outra questão.

domingo, 16 de agosto de 2015

Imperfeito graças a Deus



Ser perfeito, feito e acabado, sem que nada falte e nada possa ser acrescido. De tal forma todo feito por todo que qualquer mudança desfaz o feito e vira desfeito ou defeito. Tão lisa e regular a superfície e tão homogêneo o interior que são monotonia de forma e de cor e a beleza é tediosa. Mas os defeitos, os buraquinhos no âmago do ser, geram filigranas e rendilhados, e a luz sobre a textura surpreende e encanta tanto na forma original quanto pelo dançar das sombras e aparece a beleza do jogo na coisa em sí e na interação com a luz. As formas se dissolvem na plena escuridão ou na plena luz e isto por si só explica o Autor realizar o eterno jogo do vir a ser. Imperfeito sim, graças a Deus.

domingo, 9 de agosto de 2015

O Universo e o Ser
“Que gostaria de dizer em meu trabalho científico e filosófico, a minha principal preocupação tem sido com a compreensão da natureza da realidade em geral e de consciência em particular como um todo coerente, que nunca é estática ou completa, mas que é um processo interminável de movimento e desdobramento ....".
                                (David Bohm: Totalidade e a Ordem Implícita)










O universo existe. Nossa inteligência concebe isto e não o nega.
Alguns até já disseram que é tudo ilusão e não passa de um sonho. Se for um sonho existe um sonhador que por sua vez existe realmente em algum lugar. Denominemos isto ou aquilo de universo.
Existindo o universo ele é circunscrito em fronteiras ou é infinito?
Estando em constante transformação ao menos no nível percebido pelos nossos sentidos e assentido pelo intelecto nos níveis detectáveis por instrumentos de medida sabemos que não é estático. Constata-se também que está em expansão. Desta forma as coisas conhecidas que compõe o universo estiveram inicialmente concentradas em um volume relativamente pequeno do espaço. Se o universo for do tamanho do volume do conjunto de coisas que o compõe não é infinito. Então além de suas fronteiras há o que? Um vazio tamanho que poderia chegar à inexistência até mesmo do tempo e do espaço? Ou estaria imerso dentro de algo maior, até mesmo infinito do qual se criou por uma flutuação qualquer? Se bem que deveríamos considerar o paradoxo de flutuações necessitarem do conceito de tempo para serem definidas.
Que nome daríamos a este algo maior (muito maior) que o universo? Vazio, espaço, matriz? Isto possui extensão e seria infinito? Só se poderia dizer que é infinito se pudéssemos definir extensão como uma de suas propriedades. E como definir extensão se não definirmos uma estrutura, ou sua variação, mensurável. Se possuir estrutura imutável teria havido flutuações que permitissem o surgimento de nosso universo? Haveria neste caso tempo neste algo que poderia ser infinito? Este algo teria sido criado ou existiu por todo o sempre?
O fato é que concebemos os infinitos e os eternos da coisa ou do vazio em que se insere a coisa. Concebemos ainda a possibilidade hipotética da finitude temporal e espacial da coisa e um vazio sem forma e sem tempo em derredor, se bem que não alcançamos a essência deste vazio. É maravilha das maravilhas seres de extensão e duração infinitesimalmente pequenas conceber infinitos e eternos dos quais faz parte. A parte pode compreender o todo?
Há de se perguntar também se os seres viventes com inumerável variedade de inteligências existem também numa matriz primeva e fundamental. Memórias e processos intelectivos são armazenados nesta matriz? Ou são apenas sediados na matéria e em suas transformações químicas e estruturas? Se formos apenas um conjunto de reações químicas, estas reações químicas sabem, ou imaginam, que são apenas reações químicas que sentem medo de cessarem. Sentem amor, ódio, raiva, esperança, angústia e até imaginam. Criam até mesmo mundos imaginários que imprimem, ou animam quando não guardam para si. E isto em si já é algo espantoso.

A Inteligência acima de um limiar julga ter consciência de si mesma e do todo em que se insere. Ela percebe à medida que se desenvolve a dimensão relativa de sua existência e, assim, cada vez menos acredita ter respostas definitivas e perfeitas para as coisas. Não se contenta mais com querelas primitivas, quando baseadas em certezas e absolutos, tais como se há Deus ou não. Não afirma mais que isto ou aquilo é absurdo, pois vê o absurdo em tudo que existe. No limite tudo é impensável ou inimaginável. E o espanto prevalece.

Domum musarum


Quando aqui entrar entre com fome
Alimente-se de formas e cores
Abra a alma como se abrem os olhos
Inunde-se de luz

Zeca Diabo - 2015

Museu



Durante muito tempo pulei o muro para espiar. Construção imóvel e volátil. Curiosa ela, curioso eu que a espiava. Olhava pelas frestas da porta quando a deixavam entreaberta, pelos vidros das janelas ou por onde fosse permitido. Ouvia quem a visitava e suas falas, seus choros, seus risos. Já havia estado lá por vezes e sempre ficava tentado a entrar e participar dos ritos lá celebrados. Agora volto para a casa das musas e da poesia. Será que trago ainda angústias, amores, revoltas e intensidade suficientes para tributar o meu reingresso?

Zeca Diabo - 2015

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quididade



Quididade



הְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה 
Eu sou o que sou
Eu serei o que serei
Êxodo 3:14
 
O que fazer? O que é, é. O que não é nunca vai ser.

Numa vida, de duas coisas únicas e inevitáveis não podemos fugir: nascimento e morte. Tudo pode se repetir, mas estas duas coisas não. Tudo pode ser concertado bem ou mal. Nascimento e morte já são em si coisas certas e acertadas.
Quem sabe?


 Alguns dizem que a vida é uma ponte entre o nada e o nada, outros que é entre o nada e a eternidade e, outros ainda que é a ponte entre duas eternidades.
Quem sabe?


Mas o que é a vida e o vivente?
Como a vida parece ser por princípio inevitável: há de surgir, mesmo em condições adversas, então seríamos conseqüência de um P(p)rincípo V(v)ital Universal (parênteses opcionais e à gosto). E aparentemente somos conseqüência de um processo evolutivo que forçou o aumento e variedade das inteligências. Então poderíamos ser conseqüência de um P(p)rincípio I(i)nteligente Universal. Seremos emanações deste Princípio? Imagem e semelhança de uma Fonte ou Reservatório de inteligência?
Quem sabe?


Mas a grande questão, maior que todas, e por isto fugimos dela inventando religiões e ideologias é: O que fazer com a parte que nos cabe da Vida? Esta questão pode ser reformulada segundo algumas vertentes de pensamento. Dentro do caos conflituosos de emoções, certezas e dúvidas, como nos tornarmos íntegros e indivíduos? A vida deve privilegiar a procriação, os gozos e paixões? A renúncia ou anulação de si mesmo na tentativa de anular o ego é desejável e possível? É a solução?
Quem sabe?


Tão poucas e limitantes respostas existem para perguntas tão importante e que se desdobram em uma legião que frequentemente devemos ser filosóficos voltando à: O que é, é. O que não é nunca vai ser.
Seja feita a Sua Vontade.

 

José Renato Delben

18/03/2013

 

 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quem diz eu te amo mente

Quem diz eu te amo mente. O amor quase sempre está além ou aquém da sua afirmação.
Como mostrar o amor? Moldura pequena quase não o mostra e não há molduras para o seu todo. Quem é construtor de molduras?
Como dar o amor? Se a caixa é do tamanho do colo que pobreza! Se do amor, onde tal colo? Não sei construir caixas.
Melhor dar o amor em um saco de filó. Quem recebe o delimitador de parte do infinito pode escolher o quanto e onde tomá-lo.
Melhor usá-lo para dar vidas. Tê-lo como baixo e pesado adubo da terra e leve e alto etéreo. Fazer crescer uma árvore que de frutos perto do chão ou lá no alto. Os baixos e os altos poderão colhê-lo livremente. Poderão escolher os frutos mais doces ou mais azedos.
Os grandes o colherão com gratidão. O pequenos sempre passarão fome.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Hoje em São Paulo uma criança de 11 anos atirou na professora e se matou. Uma criança! Não foi tentativa de assassinato nem suicídio, foi um roubo, foram muitos roubos. Roubamos, eu roubei, tu roubaste, ele roubou, nos roubamos,....., não são suficientes os sujeitos diretos e indiretos na lingua portuguesa para distribuir tanta culpa. Uma vida mal havia começado e terminou. Mas será, será que havia vida? Vida de criança? E os sonhos, quando os perdeu? Mas crianças não perdem os sonhos, alguém os rouba e quem os roubou? Crianças possuem voz para falar, cantar, rir, chorar, pedir,implorar. Quem a ouviu, quem roubou sua voz? Criança tem esperança e esta foi roubado? Que ser dos infernos rouba a esperança de uma criança? Elas têm tanto a oferecer, a crescer, desenvolver, retribuir e roubaram estes direitos dela.
Milhões, bilhões, de outras que são roubadas de suas vidas diariamente e morrem no corpo se não na alma. Acabam com o corpo e a alma mirradas vagando num mundo que não aceita as fraquezas e as persegue.
Os políticos corrúptos, os corruptores, os maus deste mundo.....não! Nos! Nos que desviamos o rosto, que evitamos olhar ou ouvir, que deixamos acontecer o mal, cometemos diariamente o crime de lesa-humanidade. Somos todos torturadores.
Alguns de nós discutimos filosofia e nos achamos super-humanos, outros de nós religião e nos classificamos como melhores ou piores que os demais. Alguns de nós nos entretemos com artes e nos aproximamos das musas do Olimpo. Somos todos nobres, altos e elevados em nossas atividades e nos rebaixamo à cegueira e insensibilidade. Frequentemente estes de nós relegamos os fracos e frágeis como menos humanos ou mesmo diabólicos. Mas nenhum extende a mão a um indivíduo, ou a voz à multidão ou seus atos aos poderosos. Alguns de nos abraçamos com o coração nossos times e timões, ou os partidos políticos e julgamos uns certos e outros errados e dividimos e, de tanto nos importarmos com isto, não colocamos o ser-irmão acima das idéias e ideais. Alguns de nos até fazem passeatas para a liberação desta ou daquela droga.
Somos todos culpados desta morte e de outras. Não passamos de animais em bando que quando aparece o predador abandonamos o mais fraco para sobreviver. Discutimos ciência e razão, filosofia e psicologia, religião e humanidade. Mas, na hora que é para valer nos reduzimos a elementos de manada. O que é horrendo é que temos consciência e consciência de a termos e nos deixamos animalizar da pior forma que é o "humananimalizar". Não atingimos nem o estágio evolutivo para  nos tornarmos Mefistófeles e nos tornamos diabretes imbecilizados. Somos Legião. Que vergonha meu Deus!


José Renato Delben
22/09/2011 - luto