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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Eu, você e o tempo

Existem o tempo e o espaço, e por isto existem as coisas. Existe a duração das coisas e do estado das coisas.
Por existir a consciência das coisas e dos estados desejamos a duração extrema e os estados perfeitos.
Mas pela consciência somos. Eu sou, tu és, eles são. E pela efemeridade do estado de ser acumulo coisas e gasto tempo.

Quero a plenitude, então quero  o meu tempo e quero o seu tempo. Olho para você e olhe para mim. Demoremos uns nos outros. As coisas passa, mas eu perduro.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016


Assim assado

Tudo é assim ou assado. Ou é assado assim ou assim assado. Quero assim ou quero assado? Ou nem quero. Como quem quer assim e quem quer assado podem juntos quererem assim assados?

José Renato 30/11/2016


O Nó
O nó era gordo. O no era górdio. Há quem o ate. Há quem o desate. Eu, Alexandre.

segunda-feira, 27 de junho de 2016



A ESPERA
Não sei mais ser poeta, penso eu há certo tempo. Abandonaram-me os alimentos da poesia, os medos, as angústias, as paixões enfim. Parecia-me abandonado pelos sons do coração e mente. Sem mais tum-tuns e paratibuns. Sem mais, até mesmo, os zam-zin-zuns. Pensei sem dor que minha alma é só silêncio. Mas revelei-me que o que confundi com silêncio era um suave e constante ohmmmmmmm. Era e é uma espera do parto de algo ainda não sabido, mas intuído. E tudo será ohm-tum-mmm-zim-sum-patibun-ohmmmm.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Me peguei escrevendo neste retângulo branco. Serei, por isto, filósofo, poeta ou literato? Ser ou não ser, eis a questão. O elétron é onda ou partícula? Deus existe ou não existe? E se todo sim e todo não fossem a mesma coisa? E se meu EU e meu Ego fossem uma coisa só? Afinal quem ou o que possui o Eu ou o Ego? Penso logo sou ou sou logo penso? Sou aquele ou aquilo que pensa ou pensar é aquilo que sou? Aquele ou Aquilo que disse sou o que sou poderia ter dito possuo o que possuo, ou ainda sou o que possuo? Se existem a matéria e seus processos, o pensamento e a consciência de ser seriam apenas resíduos dos processos físico-químicos? Toda a consciência de sermos e toda senciência seriam apenas ilusões? Iludidos seriam aptos a julgar ilusões de outros alegados conscientes? Partes ínfimas do infinito poderiam adquirir a ilusão, ou crença absoluta, da verdade sobre o sim e o não? Todo aquele que é tem medo de não ser e alguns seres, por isto, promovem o não ser dos que ameaçam sua maneira de ser. Acreditar absolutamente no sim ou no não faz com que o ser seja mais ser que o outro?Paro por aqui ou não paro, esta é outra questão.

domingo, 16 de agosto de 2015

Imperfeito graças a Deus



Ser perfeito, feito e acabado, sem que nada falte e nada possa ser acrescido. De tal forma todo feito por todo que qualquer mudança desfaz o feito e vira desfeito ou defeito. Tão lisa e regular a superfície e tão homogêneo o interior que são monotonia de forma e de cor e a beleza é tediosa. Mas os defeitos, os buraquinhos no âmago do ser, geram filigranas e rendilhados, e a luz sobre a textura surpreende e encanta tanto na forma original quanto pelo dançar das sombras e aparece a beleza do jogo na coisa em sí e na interação com a luz. As formas se dissolvem na plena escuridão ou na plena luz e isto por si só explica o Autor realizar o eterno jogo do vir a ser. Imperfeito sim, graças a Deus.

domingo, 9 de agosto de 2015

O Universo e o Ser
“Que gostaria de dizer em meu trabalho científico e filosófico, a minha principal preocupação tem sido com a compreensão da natureza da realidade em geral e de consciência em particular como um todo coerente, que nunca é estática ou completa, mas que é um processo interminável de movimento e desdobramento ....".
                                (David Bohm: Totalidade e a Ordem Implícita)










O universo existe. Nossa inteligência concebe isto e não o nega.
Alguns até já disseram que é tudo ilusão e não passa de um sonho. Se for um sonho existe um sonhador que por sua vez existe realmente em algum lugar. Denominemos isto ou aquilo de universo.
Existindo o universo ele é circunscrito em fronteiras ou é infinito?
Estando em constante transformação ao menos no nível percebido pelos nossos sentidos e assentido pelo intelecto nos níveis detectáveis por instrumentos de medida sabemos que não é estático. Constata-se também que está em expansão. Desta forma as coisas conhecidas que compõe o universo estiveram inicialmente concentradas em um volume relativamente pequeno do espaço. Se o universo for do tamanho do volume do conjunto de coisas que o compõe não é infinito. Então além de suas fronteiras há o que? Um vazio tamanho que poderia chegar à inexistência até mesmo do tempo e do espaço? Ou estaria imerso dentro de algo maior, até mesmo infinito do qual se criou por uma flutuação qualquer? Se bem que deveríamos considerar o paradoxo de flutuações necessitarem do conceito de tempo para serem definidas.
Que nome daríamos a este algo maior (muito maior) que o universo? Vazio, espaço, matriz? Isto possui extensão e seria infinito? Só se poderia dizer que é infinito se pudéssemos definir extensão como uma de suas propriedades. E como definir extensão se não definirmos uma estrutura, ou sua variação, mensurável. Se possuir estrutura imutável teria havido flutuações que permitissem o surgimento de nosso universo? Haveria neste caso tempo neste algo que poderia ser infinito? Este algo teria sido criado ou existiu por todo o sempre?
O fato é que concebemos os infinitos e os eternos da coisa ou do vazio em que se insere a coisa. Concebemos ainda a possibilidade hipotética da finitude temporal e espacial da coisa e um vazio sem forma e sem tempo em derredor, se bem que não alcançamos a essência deste vazio. É maravilha das maravilhas seres de extensão e duração infinitesimalmente pequenas conceber infinitos e eternos dos quais faz parte. A parte pode compreender o todo?
Há de se perguntar também se os seres viventes com inumerável variedade de inteligências existem também numa matriz primeva e fundamental. Memórias e processos intelectivos são armazenados nesta matriz? Ou são apenas sediados na matéria e em suas transformações químicas e estruturas? Se formos apenas um conjunto de reações químicas, estas reações químicas sabem, ou imaginam, que são apenas reações químicas que sentem medo de cessarem. Sentem amor, ódio, raiva, esperança, angústia e até imaginam. Criam até mesmo mundos imaginários que imprimem, ou animam quando não guardam para si. E isto em si já é algo espantoso.

A Inteligência acima de um limiar julga ter consciência de si mesma e do todo em que se insere. Ela percebe à medida que se desenvolve a dimensão relativa de sua existência e, assim, cada vez menos acredita ter respostas definitivas e perfeitas para as coisas. Não se contenta mais com querelas primitivas, quando baseadas em certezas e absolutos, tais como se há Deus ou não. Não afirma mais que isto ou aquilo é absurdo, pois vê o absurdo em tudo que existe. No limite tudo é impensável ou inimaginável. E o espanto prevalece.

Domum musarum


Quando aqui entrar entre com fome
Alimente-se de formas e cores
Abra a alma como se abrem os olhos
Inunde-se de luz

Zeca Diabo - 2015

Museu



Durante muito tempo pulei o muro para espiar. Construção imóvel e volátil. Curiosa ela, curioso eu que a espiava. Olhava pelas frestas da porta quando a deixavam entreaberta, pelos vidros das janelas ou por onde fosse permitido. Ouvia quem a visitava e suas falas, seus choros, seus risos. Já havia estado lá por vezes e sempre ficava tentado a entrar e participar dos ritos lá celebrados. Agora volto para a casa das musas e da poesia. Será que trago ainda angústias, amores, revoltas e intensidade suficientes para tributar o meu reingresso?

Zeca Diabo - 2015

segunda-feira, 18 de março de 2013

Quididade



Quididade



הְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה 
Eu sou o que sou
Eu serei o que serei
Êxodo 3:14
 
O que fazer? O que é, é. O que não é nunca vai ser.

Numa vida, de duas coisas únicas e inevitáveis não podemos fugir: nascimento e morte. Tudo pode se repetir, mas estas duas coisas não. Tudo pode ser concertado bem ou mal. Nascimento e morte já são em si coisas certas e acertadas.
Quem sabe?


 Alguns dizem que a vida é uma ponte entre o nada e o nada, outros que é entre o nada e a eternidade e, outros ainda que é a ponte entre duas eternidades.
Quem sabe?


Mas o que é a vida e o vivente?
Como a vida parece ser por princípio inevitável: há de surgir, mesmo em condições adversas, então seríamos conseqüência de um P(p)rincípo V(v)ital Universal (parênteses opcionais e à gosto). E aparentemente somos conseqüência de um processo evolutivo que forçou o aumento e variedade das inteligências. Então poderíamos ser conseqüência de um P(p)rincípio I(i)nteligente Universal. Seremos emanações deste Princípio? Imagem e semelhança de uma Fonte ou Reservatório de inteligência?
Quem sabe?


Mas a grande questão, maior que todas, e por isto fugimos dela inventando religiões e ideologias é: O que fazer com a parte que nos cabe da Vida? Esta questão pode ser reformulada segundo algumas vertentes de pensamento. Dentro do caos conflituosos de emoções, certezas e dúvidas, como nos tornarmos íntegros e indivíduos? A vida deve privilegiar a procriação, os gozos e paixões? A renúncia ou anulação de si mesmo na tentativa de anular o ego é desejável e possível? É a solução?
Quem sabe?


Tão poucas e limitantes respostas existem para perguntas tão importante e que se desdobram em uma legião que frequentemente devemos ser filosóficos voltando à: O que é, é. O que não é nunca vai ser.
Seja feita a Sua Vontade.

 

José Renato Delben

18/03/2013

 

 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Quem diz eu te amo mente

Quem diz eu te amo mente. O amor quase sempre está além ou aquém da sua afirmação.
Como mostrar o amor? Moldura pequena quase não o mostra e não há molduras para o seu todo. Quem é construtor de molduras?
Como dar o amor? Se a caixa é do tamanho do colo que pobreza! Se do amor, onde tal colo? Não sei construir caixas.
Melhor dar o amor em um saco de filó. Quem recebe o delimitador de parte do infinito pode escolher o quanto e onde tomá-lo.
Melhor usá-lo para dar vidas. Tê-lo como baixo e pesado adubo da terra e leve e alto etéreo. Fazer crescer uma árvore que de frutos perto do chão ou lá no alto. Os baixos e os altos poderão colhê-lo livremente. Poderão escolher os frutos mais doces ou mais azedos.
Os grandes o colherão com gratidão. O pequenos sempre passarão fome.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Hoje em São Paulo uma criança de 11 anos atirou na professora e se matou. Uma criança! Não foi tentativa de assassinato nem suicídio, foi um roubo, foram muitos roubos. Roubamos, eu roubei, tu roubaste, ele roubou, nos roubamos,....., não são suficientes os sujeitos diretos e indiretos na lingua portuguesa para distribuir tanta culpa. Uma vida mal havia começado e terminou. Mas será, será que havia vida? Vida de criança? E os sonhos, quando os perdeu? Mas crianças não perdem os sonhos, alguém os rouba e quem os roubou? Crianças possuem voz para falar, cantar, rir, chorar, pedir,implorar. Quem a ouviu, quem roubou sua voz? Criança tem esperança e esta foi roubado? Que ser dos infernos rouba a esperança de uma criança? Elas têm tanto a oferecer, a crescer, desenvolver, retribuir e roubaram estes direitos dela.
Milhões, bilhões, de outras que são roubadas de suas vidas diariamente e morrem no corpo se não na alma. Acabam com o corpo e a alma mirradas vagando num mundo que não aceita as fraquezas e as persegue.
Os políticos corrúptos, os corruptores, os maus deste mundo.....não! Nos! Nos que desviamos o rosto, que evitamos olhar ou ouvir, que deixamos acontecer o mal, cometemos diariamente o crime de lesa-humanidade. Somos todos torturadores.
Alguns de nós discutimos filosofia e nos achamos super-humanos, outros de nós religião e nos classificamos como melhores ou piores que os demais. Alguns de nós nos entretemos com artes e nos aproximamos das musas do Olimpo. Somos todos nobres, altos e elevados em nossas atividades e nos rebaixamo à cegueira e insensibilidade. Frequentemente estes de nós relegamos os fracos e frágeis como menos humanos ou mesmo diabólicos. Mas nenhum extende a mão a um indivíduo, ou a voz à multidão ou seus atos aos poderosos. Alguns de nos abraçamos com o coração nossos times e timões, ou os partidos políticos e julgamos uns certos e outros errados e dividimos e, de tanto nos importarmos com isto, não colocamos o ser-irmão acima das idéias e ideais. Alguns de nos até fazem passeatas para a liberação desta ou daquela droga.
Somos todos culpados desta morte e de outras. Não passamos de animais em bando que quando aparece o predador abandonamos o mais fraco para sobreviver. Discutimos ciência e razão, filosofia e psicologia, religião e humanidade. Mas, na hora que é para valer nos reduzimos a elementos de manada. O que é horrendo é que temos consciência e consciência de a termos e nos deixamos animalizar da pior forma que é o "humananimalizar". Não atingimos nem o estágio evolutivo para  nos tornarmos Mefistófeles e nos tornamos diabretes imbecilizados. Somos Legião. Que vergonha meu Deus!


José Renato Delben
22/09/2011 - luto

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pena Musical

Tenha dó, está tudo sustenido e ficando lá.





José Renato, 25/08/2011



SERÁ?


Para que o saber sem sabor? A emoção é sabor em si ou a procura dele? É motivo e motor da ação? O desenvolvimento da razão torna o emotivo fingido? Qual a cor, o sabor e o som da lucidez?  O excesso de lucidez elimina as sombras e dissolve a forma do mundo? Há tolos que o são por entenderem em demasia a sensatez? Se entrevado é paralítico quem em trevas está é o que? Vale a pena o amargo quando é o único sabor possível? Perguntar, perguntar, perguntar.....que triste sina.





José Renato, 25/08/2011